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Recorte de imprensa, Vinhos

Uma prova cega extraordinária e única no mundo!

Dezembro 14, 2017

“E ninguém deita vinho novo em odres velhos; de outra sorte o vinho novo romperá os odres, e entornar-se-á o vinho, e os odres se estragarão;
Mas o vinho novo deve deitar-se em odres novos, e ambos juntamente se conservarão.
E ninguém tendo bebido o velho quer logo o novo, porque diz: Melhor é o velho.”
(Lucas 5:37-39)

Duas notas introdutórias.
1 – O Blogue do Syrah congratula-se com o registo oficial de mais um Barca Velha, do ano de 1955, em que o nosso amigo Tiago Paulo, da Garrafeira Estado d`Alma, teve um papel determinante, embora não reconhecido pela Sogrape, a actual proprietária da marca Barca Velha. Deste modo passam a existir 19 colheitas do mítico vinho. De 1952 a 2008, que foi lançado para o mercado na ponta final do ano passado.
2 – O Blogue do Syrah congratula-se igualmente com a distinção, inédita, atribuída ao Barca Velha 2008, de 100 pontos, pela Wine Enthusiast. Deste modo passa a ser o primeiro vinho português não fortificado a atingir a pontuação máxima numa publicação norte-americana de referência.

Tendo isto bem presente, vamos então contar a história de uma prova cega verdadeiramente única, ideia nossa que conseguimos concretizar!

Os entendidos na matéria, leia-se, os enófilos e afins, consideram o Barca Velha como o “epítome, o pináculo superior, o símbolo inquestionável” da qualidade mais alta dos vinhos do Douro e de Portugal. Clássico, intenso, complexo, elegante – são os adjectivos habitualmente usados para o descrever, desde a sua criação, em 1952, sendo por isso o vinho português mais célebre. O Barca Velha é a base sobre a qual a reputação de Casa Ferreirinha cresceu, marca de qualidade com a tradição mais alta do Douro e um dos seus guias mundiais principais. O Barca Velha é declarado só em anos realmente excepcionais.

Mesmo os que sabem menos sobre vinho, ou não têm por hábito bebê-lo, usam simbolicamente o nome Barca Velha quando se querem referir a um produto topo de gama, de luxo e excelência. Já para os apreciadores de vinho, é algo com um estatuto inatingível, a que se aspira, muitas vezes com a certeza de que nunca o iremos provar.”
Neste momento o leitor mais atento já estará a perguntar-se: por que razão está o Blogue do Syrah a falar de um vinho, que apesar de ser considerado mítico não tem uma gota de Syrah? É feito com as castas típicas  do Douro, (Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca) e, por esse facto não deveria ser mencionado num blogue em que a casta rainha e única a ter em conta é a Syrah!

O que acontece é que nós aqui no Blogue do Syrah andamos sempre à procura de coisas novas e diferentes, até para nos apercebermos do efeito daquilo que dizemos. Numa linguagem psicanalítica, a que distância realmente está o princípio do prazer (a nossa admiração pela casta Syrah) do princípio da realidade ( no qual as pessoas em geral, que não têm grandes conhecimentos sobre vinhos, ou tendo, não conhecem bem a casta Syrah, pensando que os monocastas Syrah portugueses ainda são minoritários, no conjunto dos vinhos nacionais).

Assim sendo decidimos levar a cabo uma mini prova cega em que o mítico Barca Velha ombreasse com um monocasta Syrah. E isso, caros leitores, é algo que nunca foi feito em Portugal ou em qualquer parte do mundo! E a ideia surgiu depois de provarmos um Barca Velha, advindo daí muito pouco entusiasmo pelo que estávamos a sorver.

Syrah que decidimos colocar em prova foi o Quinta da Lagoalva de Cima, um Syrah do ano 2000, do Tejo, nessa altura ainda chamado em termos vinícolas de Ribatejo. Pedimos ajuda à Garrafeira Estado d`Alma que nos arranjou o já citado Barca Velha, de 1982, e ao nosso amigo Pedro Gato do Great Tastings que promoveu a prova cega entre os clientes que frequentaram o estabelecimento comercial entre os dias 9 e 11 do corrente mês de Maio. As duas garrafas completamente descaracterizadas e numeradas foram entregues ao Pedro Gato, não sabendo o próprio do seu conteúdo, a não ser que se tratava de vinho tinto (facilmente detectável). Eram dois vinhos com mais de dez anos (sem fornecer exactamente a idade) e que eram ambos portugueses. Nem o Pedro Gato, que levou a cabo a prova (um obrigado e um grande abraço), nem os participantes sabiam ao que vinham. A única pergunta após a prova de cada um dos vinhos era: “Qual dos dois é que gostou mais?”

 

Nesses três dias houve vinte e nove clientes que aceitaram o repto de provar os dois vinhos e de responder à pergunta. Entre os vinte e nove provadores havia quatro mulheres. O Blogue do Syrah gostaria que mais elementos femininos tivessem participado na prova, mas a verdade é que houve pessoas, e nomeadamente senhoras, que não quiseram participar, ou porque não bebiam álcool, ou porque não se sentiram suficientemente confiantes para aceitar o desafio.

Dos vinte e nove provadores (29), dezasseis (16) consideraram o Syrah da Quinta da Lagoalva de Cima 2000 como o melhor, enquanto que treze (13) votaram a favor do Barca Velha 1982!

O Blogue do Syrah omite quaisquer comentários sobre o resultado desta prova cega, que consideramos extraordinária e única!
Partimos do pressuposto que quem nos está a ler consegue perceber o alcance do que está aqui em causa!

Esta prova cega vem reforçar a tese que temos defendido desde o início desta aventura: os Syrah portugueses são dos melhores do mundo e dão cartas a qualquer vinho mesmo quando é apelidado de excepcional!